O SEO, as buscas no Google e a sua privacidade

· PATYMARKETING
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“Há mais coisas entre o Céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia”, escreveu Shakespeare citando o pensador Horácio. E há mais coisas entre o seu computador e o Google que nossa imaginação supõe.

Todos os dias somos bombardeados com denúncias sobre a falta de privacidade que assola nossa presença e atividades na Internet. Sejam relacionadas ao Facebook, à Apple ou à miríade de aplicativos para plataformas móveis que, contentes, baixamos em nossos pads, pods, phones e congêneres.

Pergunto: e nas pesquisas no Google? Alguém já se perguntou se o sigilo de nossos dados e dos objetos que pesquisamos é preservado?

Para responder essa pergunta, nada melhor que a opinião de SEOs. Esses profissionais que passam a vida observando como deixar o conteúdo dos sites mais visíveis na horas das busca e que dependem de informações sobre os termos pesquisados que geraram mais tráfego, mais acesso e conversões.

Antes de partir para as opiniões dos especialistas em otimização de sites, é preciso situar o leitor sobre importantes alterações que o Google fez na maneira de transmitir informações aos administradores de websites e SEOs no Google Analytics (GA).

O GA é uma plataforma de mensuração de tráfego que exibe dezenas de dados sobre as visitas às páginas. Entre essas informações encontram-se a localidade, o sistema operacional, o horário, os sites que conduziram os internautas até as páginas e as palavras chave digitadas no campo de pesquisas do Google.

Veja, na imagem a seguir, de que maneira o GA mostra a origem de determinados acessos.

GA

Pois bem. Faz aproximadamente três meses que o Google decidiu omitir dos webmasters e dos SEOs quais foram os termos digitados para gerar tráfego. Essa alteração é válida apenas para as pesquisas realizadas a partir do Google.com (lembre-se que o Google, no Brasil, fica hospedado no endereço Google.com.br) e abrange apenas as buscas executadas por usuários logados em um dos vários sites do Google, entre estes o Orkut, o Picasa, o Google Plus e, óbvio, o Gmail.

Para dar conta desse recurso, a conexão de internautas logados nesses serviços é convertida de HTTP para HTTPS. Com base nessa alteração, as informações transmitidas entre o seu computador e os diversos servidores é reescrita de forma a impossibilitar a qualquer outro participante obter a natureza dos dados transmitidos.

É, por motivos óbvios, o tipo de conexão esperada quando você se conecta a um banco ou outro serviço online.

No lugar das palavras chave, aparece o termo “not provided”, ou seja, “não informado”. Segundo o Google, tal alteração visa incrementar a privacidade dos internautas ao “esconder” dos administradores de sites e dos SEOs a palavra-chave que lhes gerou aqueles acessos. Veja como ficam exibidas as informações quando a palavra chave é omitida:

Google2

Saiba mais sobre conexões criptografadas neste link.

Antes de partir para as opiniões dos SEOs sobre o assunto Google Analytics e as palavras-chave usadas para acessar os sites a partir de buscas orgânicas, é preciso esclarecer alguns pontos cruciais.

1 – O Google Analytics não tem recursos que revelem aos administradores de sites ou aos SEOs informações de ordem pessoal Ou seja, não é possível, apenas com base no analytics, saber:

a) a identidade pessoal de quem acessou o site;
b) o telefone, endereço residencial (número da casa, do apartamento ect), email ou outros dados confidenciais.

2 – Para obter esse tipo de informação é necessário criar uma URL específica e entregar essa URL para uma determinada pessoa, seja por email, através de um link personalizado ou com outro tipo de marcação específica do atalho virtual.

3 – Normalmente, as URLs personalizadas são usadas quando um site distribui um link em canais específicos e quer estar certo da ressonância de sua mensagem. É um caso bastante comum no Twitter, por exemplo, que, por uma infinidade de questões, ainda não apresenta uma integração 100% precisa com o Google Analytics. Além disso, vale a pena questionar qual é a confidencialidade ou, melhor, qual é o real perigo em ter os dados pesquisados divulgados.

Então vamos lá. Qual é o maior desafio posto aos profissionais de SEO com relação a essa medida?

> Facilidade – Para Cassiano Travarelli, gerente da Brivin Corp, organização voltada a atender o mercado imobiliário dos EUA e fundador do BrasilSEO, essa é a palavra-chave afetada.

“Sem essa informação, os profissionais de SEO perdem a facilidade que havia em explorar mais o público dos sites”. Travarelli aponta para o fato de haver informações suplementares exibidas no site Google Web Master Tools, onde administradores de sites podem obter mais dados com alguma depuração. Uma dessas informações é saber quais foram as top mil palavras-chave que geraram acessos. Na opnião de Travarelli, isso serve, assim por dizer, como “consolo”.

Faz sentido chamar de consolo, pois com exceção de portais muito grandes, haverá poucos endereços na web acessados por mais de meia dúzia de palavras-chave.

> O não se mede, não se gerencia – Paulo Rodrigo, fundador da empresa Marketing de Busca e um dos mais antigos SEOs do Brasil, define assim o dilema imposto pela “sonegação de dados” do Google Analytics.

Professor dos cursos de pós-graduação da FGV e da ESPM, Paulo afirma ainda que a migração do modelo do Google, indo em direção às redes sociais com o site Google +, tende a dificultar a vida dos SEOs ainda mais.

Ocorre que “cada vez mais, o número de pessoas logadas será maior” e é essa , por enquanto, a prerrogativa dessa medida. O usuário, conforme citamos acima, terá que estar logado no Google. Trocando em miúdos: o que não se mede, não se gerencia e a mensuração é um dos grandes diferenciais da Internet na qualidade de mídia, diz Paulo Rodrigo.

> Perda de dados importantes – É o que incomoda mais a SEO Cléo Morgause, profissional de otimização do portal R7. A mineira, contribuinte de sites sobre o assunto, como o SEO de Saia e do seu próprio blog, enxerga na omissão dos dados uma complicação importante na hora de montar as estratégias de long tails, ou seja, de atacar palavras-chave mais longas. Nas palavras de Morgause isso a “impede de construir landing pages (páginas destino) e em desenvolver estratégias, além de refinar as existentes”.

É preciso lembrar que uma palavra-chave não se limita a uma palavra apenas.

Pessoalmente, defino palavra-chave como “toda e qualquer coisa que um internauta digita na primeira janela em branco que encontra quando abre um navegador.

> Dados inconsistentes – Maurício Zane, blogueiro por profissão e responsável por gerir uma rede com mais de 50 sites  nos quais a receita é gerada a partir de anúncios do Google, afirma que a medida do Google tende a forçar que o SEO deposite sua confiança em uma ferramenta de pesquisa por palavras-chave oferecidas no site usado para configurar campanhas de AdSense, a plataforma de publicidade do Google.

“Teremos de acreditar no Google” resume Zane, que vê nas afirmações sobre o impacto global, estimado pelo Google em 1% a 2%, uma perversidade camuflada. “No caso de um site com um milhão de acessos via mecanismos de busca, isso representa entre 10 mil e 20 mil acessos. Quantas conversões estaremos deixar de analisar?” pergunta Zane.

> Não é bem um desafio, é mais um complicador – Explica Beatriz Rego, profissional de SEO da Globo.com com oito anos de experiência em trabalho com a internet, dois destes dedicados à otimização de sites,. Na opinião de @Bia_maravilha, como é conhecida no Twitter, clientes querem números, querem resultados imediatos, o que por si só, já é um desafio aos SEOs.  Portanto, o maior desafio será convencer os clientes a terem paciência, palavra- chave em falta no mercado de marketing na internet.

Faça a lição de casa

Ainda é cedo para tirar conclusões sobre o real impacto na vida dos SEOs, imposto por essa mudança, afirma Adriano Nadalin, gerente de BI (business intelligence) da I-Cherry, agência de SEO localizada em Curitiba, no Paraná.

Nadalin sugere que os SEOs trabalhem de forma metódica. O mais seguro ainda é separar esse grupo (de acessos gerados por incógnitas) e usar as palavras -chave detalhadas como amostra para analisar a qualidade do tráfego gerado por elas. Também vale estudar se a qualidade das landing pages servidas é adequada ou se precisa ser otimizada. Para Nadalin essa é uma medida que deverá ser corriqueira, parte do repertório comum aos profissionais de mensuração de tráfego na web.

Sugere  também que o conteúdo de uma apresentação disponível na web, em que o colega  Alex Sander Pelati exibe uma maneira de configurar os relatórios do GA de maneira a mostrar o impacto da omissão de dados, seja estudo por todos os profissionais de SEO. A apresentação está disponível neste link.

Colocando os pontos nos Is

“A restrição não é do Google e sim, uma restrição técnica imposta pelo uso do protocolo HTTPS, definida pela RFC 2616”, alerta Leonardo Naressi, CIO (chief information officer, ou VP de tecnologia da informação) e sócio-fundador do Grupo Digital INC.

Em suma, o protocolo HTTPS lança mão de uma tecnologia que criptografa (disfarça) o conteúdo de dados transmitidos entre dois pontos na Internet. Ela é muito útil quando, por exemplo, usamos uma conexão pública de internet em lan houses e/ou  aeroportos. Sem essa criptografia, seria extremamente fácil descobrir o que computador conectado em uma rede dessas envia ao roteador. Então fica a dica: ao usar uma conexão dessas, sempre prefira usar o HTTPS, oferecido em sites como o Facebook e cia.

Voltando às declarações de Naressi, na opinião dele o desafio para os SEOs  deverá ser permanente e a tendência é, digamos, piorar com um movimento global que ruma em direção a um ambiente de web mais seguro.

Naressi acredita que caberá aos profissionais dessas areas se aprimorar na interpretação e na filtragem dos dados que obtêm no GA. Dados amostrais, tendências em series temporais, regressões e análises multivariadas, mineração de texto e de dados, além do uso de ferramentas auxiliares para a tomada de decisões serão se já não eram) uma condição indispensável para os profissionais de SEO nessa nova era.

Privacidade, privacidade, privacidade, será?

“É jogada para faturar mais com a versão paga do GA”, desconfia Cléo Morgause.

A afirmação da SEO faz sentido. Há alguns meses o Google anunciou o lançamento da versão paga do Google Analytics. Pela bagatela de 150 mil dólares ao ano, os clientes terão acesso a serviços que vão desde suporte 24/7 , até recursos avançados.

Ainda sem testar a versão paga, Cassiano Travarelli faz comentários reservados sobre a possibilidade de o GA pago incluir esses dados. Na perspectiva do SEO, a medida é um tanto injusta, pois, ao passo que o Google tem todos os dados sobre o tráfego e suas origens, os administradores de websites têm importantes informações subtraídas de sua planilha.

Mauricio Zane é outro critico feroz quando o Google tenta vestir ou, melhor, travestir essa medida como incremento da privacidade. Zane cita várias mancadas que o Google deu nos últimos meses quando o assunto é proteção de dados. Entre elas, o escândalo do street view, quando,  inadvertidamente, um engenheiro do Google instalou um sistema que capturava dados confidenciais de roteadores abertos enquanto o automóvel tirava simpáticas fotografias por onde passava.

Em um ritmo parecido, o profissional de BI da I-Cherry Nadalin, vê nessa medida uma maneira de aumentar o interesse pela plataforma de publicidade do Google. Ocorre que os acessos gerados no ambiente “seguro”do HTTPS são exibidos quando esse clique foi gerado em um dos links patrocinados. “De toda forma, qualquer afirmação cabal será, por enquanto puramente especulativa”, conclui Nadalin.

Por IDG NOW

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