Deixem os garotos-propaganda em paz

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Deixem os garotos-propaganda em paz

Por semanas a fio a cantora Jennifer Lopez esquentou a telinha da TV. Aprendeu a sambar no comercial, chacoalhando seu famoso quadril, espalhou o novo verbo “sapucar” no sotaque tipicamente gringo e criou expectativa quanto à participação no Camarote Brahma, o mais prestigiado da Sapucaí.

 

Embora o desempenho da musa tenha alcançado o sucesso esperado, antes, na mesma terça-feira, ela deixou escapar uma declaração que ridiculamente soou bombástica: disse “não ser do tipo que bebe cerveja”. Acredita neste “absurdo”, leitor?

Rapidamente o assunto virou notícia na imprensa, que adora uma oportunidade para inflar o debate e propor a impressão de que uma coisa deve, obrigatoriamente, ser associada à outra. Isto fica cada vez mais sério porque de tempos em tempos a sinceridade dos garotos-propaganda causa barulho –  e polêmica. Aconteceu a mesma coisa com a “rival” Sandy quando, apesar de contratada pela cervejaria Devassa, ela afirmou não ser lá muito adepta à mistura de lúpulo, malte e cevada. Ok. E daí?
É preciso combater o mito que não faz sentido, que é levantado para ganhar mídia espontânea aqui e acolá. Ou alguém acredita que o Faustão realmente dirige um carro da JAC Motors, que a Xuxa usa Monange, que a Ivete Sangalo bebe Nova Schin e que o Luciano Huck usa todos os produtos das marcas que o pagam para falar bem delas? Não, eles não agem assim por um motivo muito simples; estamos falando de negócios, de dinheiro. Nada mais.
Tem de se separar o joio do trigo. A celebridade é escolhida pela agência e anunciante para promover o produto. Ela empresta credibilidade para que as pessoas façam a associação natural e sintam-se estimuladas a comprar. O que não quer dizer, no entanto, que os “embaixadores” são obrigados a consumir itens das empresas que promovem. É um erro cobrar deles tal devoção. Assim como as imagens dos produtos podem ser “meramente ilustrativas”, o mesmo critério deve ser observado neste caso.
Portanto, faço votos sinceros para que esta seja a última vez que o surto de ingenuidade se espalhe por aí. Mesmo sabendo que o ingênuo em pedir isso sou eu.
Por Marcelo Gripa

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